A saúde hormonal da mulher é resultado da interação entre fatores ambientais, estilo de vida, alimentação e, sobretudo, da sua genética. Com os avanços da nutrigenética, é possível identificar variantes genéticas (SNPs) que influenciam diretamente o metabolismo hormonal, a resposta inflamatória e a eficiência na utilização de nutrientes essenciais à produção e regulação de hormônios sexuais femininos.

Neste artigo, destacamos os principais genes analisados nos testes genéticos da DGLab, explicando como cada um deles impacta a saúde hormonal e como a nutrição personalizada pode modular essas vias metabólicas de forma prática e eficiente.


1. COMT (rs4680) — Metabolismo de Estrógeno e Dopamina

A enzima catecol-O-metiltransferase (COMT) atua na degradação de catecolaminas como dopamina, noradrenalina e também de estrogênios. A variante G/G (Val/Val) está associada à baixa atividade enzimática, o que pode gerar acúmulo de metabólitos estrogênicos mais ativos, além de maior sensibilidade ao estresse emocional.

Recomendações nutricionais:

  • Alimentos ricos em magnésio (sementes, vegetais verdes)
  • Vitamina B6 (banana, salmão, aveia)
  • Compostos sulforafanos (couve, brócolis, repolho)

2. FTO (rs9939609) — Controle de Apetite e Efeito sobre o Estrógeno

O gene FTO está ligado à regulação do apetite, compulsão alimentar e tendência ao ganho de peso. Em mulheres, o excesso de gordura corporal pode levar a desbalanços hormonais, principalmente de insulina e estrógeno, com aumento do risco para SOP e infertilidade.

Recomendações nutricionais:

  • Dietas com alto teor de fibras e proteínas
  • Redução de alimentos com alto índice glicêmico
  • Atenção ao padrão alimentar comportamental

3. TCF7L2 (rs7903146) — Glicemia, Insulina e Hormônios Reprodutivos

Este gene está fortemente associado à resistência à insulina e ao risco de diabetes tipo 2. Em mulheres, tais alterações podem afetar o eixo hormonal ovariano, como observado na Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP).

Recomendações nutricionais:

  • Controle rigoroso de carboidratos refinados
  • Inclusão de alimentos com ação anti-inflamatória, como açafrão-da-terra
  • Atividade física regular

4. PPARG (rs1801282) — Sensibilidade à Insulina e Lipogênese

O gene PPARG codifica um receptor nuclear envolvido no metabolismo de gorduras e glicose. Suas variantes influenciam diretamente a sensibilidade à insulina, com impactos no equilíbrio hormonal feminino e no risco cardiometabólico.

Recomendações nutricionais:

  • Consumo de ácidos graxos insaturados (abacate, azeite, nozes)
  • Aumento da ingestão de fibras solúveis
  • Redução de açúcares e gorduras saturadas

5. CLOCK (rs1801260) — Ritmo Circadiano e Produção Hormonal

O gene CLOCK regula os ciclos circadianos que influenciam diretamente a secreção de hormônios como cortisol, melatonina, LH e FSH. Distúrbios nesse gene podem causar desregulação do sono, fadiga crônica, infertilidade e alterações menstruais.

Recomendações nutricionais e comportamentais:

  • Regularidade nos horários das refeições
  • Evitar estimulantes à noite (cafeína, açúcar)
  • Priorizar alimentos ricos em triptofano (castanhas, banana, aveia)

6. IL6 (rs1800795) e TNF (rs1800629) — Inflamação e Eixo Hormonal

A expressão exacerbada das citocinas IL-6 e TNF-α está associada a processos inflamatórios crônicos que impactam a função ovariana, aumentam a resistência ao estrogênio e favorecem condições como endometriose, SOP e infertilidade.

Recomendações nutricionais:

  • Dieta anti-inflamatória rica em ômega-3, vegetais coloridos, cúrcuma e gengibre
  • Redução do consumo de açúcares refinados e alimentos processados
  • Apoio com antioxidantes naturais

7. MTHFR (rs1801133) — Metilação e Regulação Neuroendócrina

O gene MTHFR é essencial para o metabolismo do folato e a metilação de neurotransmissores e hormônios. Suas variantes (especialmente C/T ou T/T) estão ligadas a distúrbios hormonais, TPM severa, alterações de humor e infertilidade.

Recomendações nutricionais:

  • Alimentos ricos em folato natural (folhas verdes, abacate, lentilha)
  • Suporte com vitaminas do complexo B (B6, B9, B12)
  • Avaliação da necessidade de suplementos metilados, quando indicado clinicamente

Conclusão

A genética fornece uma base precisa para entender os mecanismos individuais de cada mulher. Ao integrar o perfil genético com estratégias nutricionais personalizadas, é possível promover:

  • Equilíbrio hormonal
  • Fertilidade e vitalidade
  • Redução de sintomas como TPM, acne e fadiga
  • Prevenção de distúrbios como SOP, resistência à insulina e inflamação crônica

Essa é a proposta da genômica aplicada à saúde da mulher: agir de forma personalizada, preventiva e altamente eficaz.


Descubra Seu Perfil Genético com a DGLab

Com os testes genéticos da DGLab, você identifica variantes que afetam seu metabolismo hormonal e recebe um plano de ação nutricional personalizado, desenvolvido com base em evidências científicas e na prática clínica atual.

Acesse o site da DGLab e saiba mais sobre os testes disponíveis

Saiba mais em: www.dglab.com.br