A relação entre alimentação e prevenção do câncer é amplamente reconhecida. No entanto, o que muitos profissionais da nutrição ainda não aplicam na prática clínica é o potencial da nutrigenética para personalizar estratégias alimentares com base no perfil genético individual, ampliando as chances de prevenção de doenças complexas como o câncer.


O que é nutrigenômica e por que ela importa?

A nutrigenômica é a ciência que estuda como os nutrientes interagem com os nossos genes, regulando a expressão de processos metabólicos, inflamatórios, antioxidantes e de detoxificação celular. Isso significa que a alimentação não é apenas fonte de energia — ela modula a forma como nossos genes se comportam.

Na prevenção do câncer, isso é especialmente relevante, já que o surgimento da doença pode ser influenciado por:

  • Fatores genéticos herdados
  • Ambiente celular oxidativo
  • Baixa capacidade de detoxificação
  • Dietas inadequadas e inflamatórias

O papel da genética na predisposição ao câncer

Cada indivíduo carrega variantes genéticas que influenciam sua própria resposta biológica frente a fatores pró-carcinogênicos. Alguns genes-chave nesse processo incluem:

GeneFunção
GSTM1 / GSTT1Detoxificação de carcinógenos e xenobióticos
SOD2Neutralização de radicais livres (defesa antioxidante)
MTHFRMetabolismo de folato e reparo do DNA
CYP2A1Metabolismo de medicamentos e toxinas 

Essas variantes genéticas podem aumentar a vulnerabilidade celular, reduzindo a capacidade de neutralizar compostos potencialmente cancerígenos — mas também abrem uma oportunidade para intervenção nutricional precisa.


Como a alimentação personalizada atua na prevenção do câncer

Com base nos resultados de testes genéticos, é possível montar estratégias alimentares personalizadas e cientificamente direcionadas para potencializar a prevenção do câncer. Veja como:

1. Potencializando a defesa antioxidante

  • Indivíduos com variantes no gene SOD2, por exemplo, se beneficiam de dietas ricas em vitamina C, E, selênio e flavonoides.
  • Frutas vermelhas, vegetais verde-escuros, chá verde e cúrcuma ganham papel estratégico.

2. Reforçando a detoxificação

  • Em casos de deleção nos genes GSTM1/GSTT1, recomenda-se o aumento do consumo de brássicas (brócolis, couve, couve-flor), ricos em sulforafanos.
  • O uso de condimentos como alho e cebola também é benéfico por conter compostos sulfurados.

3. Corrigindo rotas de metilação e síntese de DNA

  • Variantes no gene MTHFR afetam o metabolismo do folato.
  • Pacientes com polimorfismos devem priorizar alimentos como espinafre, lentilha, feijão-preto, abacate, ou considerar suplementação funcional de folato ativo (metilfolato ou 5-MTHF).

4. Evitando alimentos de difícil metabolização

  • Com base em variantes dos genes CYP1A1 e NAT2, pode-se avaliar a necessidade de redução de carnes processadas, gordura saturada e corantes artificiais, que sobrecarregam as vias de detoxificação hepática.

Exemplo prático: MTHFR e prevenção de mutações

Um dos SNPs mais conhecidos, o MTHFR C677T, compromete a conversão do folato em sua forma ativa.
> Isso pode afetar a metilação do DNA, mecanismo essencial para o controle da expressão gênica e prevenção de mutações.
> Para esse perfil genético, o nutricionista pode indicar um plano alimentar com altas fontes naturais de folato, associadas a suplementação individualizada, quando necessário.


Genética não é destino. É direcionamento.

Ter predisposição genética não significa que a doença será inevitável. Significa que existe uma janela de oportunidade para agir de forma personalizada, consciente e estratégica.

A alimentação baseada no DNA é uma forma inteligente de transformar o risco em prevenção real. E os profissionais de nutrição têm papel central nesse processo.


Conclusão: o profissional de nutrição como protagonista na prevenção do câncer

A prevenção do câncer vai além do discurso genérico de “comer saudável”. Trata-se de entender:

  • Quem é o seu paciente?
  • Como o corpo dele metaboliza nutrientes?
  • Quais vias bioquímicas precisam de suporte individual?
  • Como ajustar a dieta com base em evidências genéticas?

Ao aplicar a nutrição de precisão, o profissional sai da tentativa- e-erro e passa a atuar com ciência, estratégia e resultados reais.


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