O conhecimento sobre predisposições genéticas garante ao nutricionista maior assertividade nos planos alimentares traçados para os seus pacientes. Esta abordagem, ainda que recente, é muito importante para melhorar os resultados a serem alcançados de acordo com os objetivos do paciente, sempre levando em conta sua condição atual de saúde.

Veja, neste post, o que é a predisposição genética e como ela pode impactar na prática clínica nutricional.

O que é predisposição genética?

Predisposição genética é um termo que significa maior probabilidade de um indivíduo vir a desenvolver uma determinada condição de saúde ao longo da vida, como uma doença, de acordo com os genes que carrega. Hoje sabemos que existem predisposições genéticas para o desenvolvimento de doenças crônicas, como obesidade, hipertensão, por exemplo.

No entanto, confunde-se quem acha que a predisposição genética é suficiente para o desenvolvimento de uma condição clínica alterada. Na verdade, ela não indica a causa de uma doença, mas uma chance aumentada que uma pessoa tem de desenvolvê-la. Por ajudar a prever o aparecimento de uma possível doença, a predisposição genética serve como importante informação na elaboração de intervenções nutricionais preventivas e terapêuticas.

Predisposição genética na nutrição

A área da nutrição atua diretamente não só no tratamento da saúde das pessoas, mas também na prevenção de doenças.

De acordo com o conhecimento clínico, na maioria das vezes as doenças não aparecem ou se desenvolvem a partir de um único fator. Normalmente, há influência tanto do ambiente em que se vive, quanto do tipo de alimento consumido, da prática ou não de atividades físicas, e também da genética. Logo, para uma análise mais precisa de seus pacientes, o profissional de nutrição deve levar em conta todos esses fatores, e suas interações.

Na avaliação nutricional, os meios de se obter as informações clínicas, antropométricas, e de anamnese já são bastante conhecidos. Por outro lado, para a avaliação genética, são necessários testes de DNA que durante muito tempo tiveram alto custo para os profissionais que procuravam utilizá-los em seus consultórios. 

Atualmente, porém, é possível encontrar testes genéticos nutricionais por preços mais acessíveis. Além disso, as pesquisas em genética e nutrição avançaram muito nos últimos anos, e o conhecimento nesta área está muito mais difundido entre os profissionais de saúde.

Hoje, trabalhar na identificação de predisposições genéticas ao aparecimento de doenças é um sensível diferencial para os profissionais de saúde que atuam na área de nutrição e que buscam mais informações para condutas nutricionais mais efetivas.

Genes relacionados

Identificar predisposições genéticas somente é possível a partir da análise de genes específicos ligados a determinadas doenças que se quer investigar durante o atendimento nutricional.. Abaixo, separamos alguns exemplos que podem ser usados no dia a dia da sua clínica. 

Obesidade

Diversas pesquisas relacionam os genes FTO e MC4R com a composição de gordura corporal, que é maior em algumas pessoas dependendo dos genótipos individuais. Essas pessoas possuem polimorfismos ou variações nesses genes que estão relacionados ao maior potencial de ter um excesso de gordura (e consequentemente de peso!). Não bastando isso, pessoas com esses polimorfismos também têm maior chance de apresentarem episódios de compulsão alimentar e de escolha por alimentos com maior densidade calórica. 

Hipertensão

Enquanto isso, os genes ACE e AGT estão relacionados a processos fisiológicos que regulam a pressão arterial. Algumas pessoas possuem variações nesses genes que permitem maior controle da pressão, mantendo o corpo em equilíbrio; outras pessoas, porém, apresentam variações relacionadas a uma maior chance de desenvolver hipertensão arterial. Essa predisposição tem grande peso na conduta nutricional, pois permite que o nutricionista conheça previamente qual a quantidade de alimentos com sódio o paciente poderá consumir e tolerar sem que faça mal a sua saúde.  

Intolerância à lactose

Para determinar a predisposição genética à intolerância à lactose um importante gene é o MCM6. Resumidamente, de acordo com certas variações nesse gene é possível identificar susceptibilidade a uma produção reduzida da enzima lactase. Logo, pessoas com esse perfil têm maior predisposição a não conseguir digerir bem a lactose, experimentando os efeitos adversos do seu consumo.

Os testes nutrigenéticos (mesmo quando há diferenças nos protocolos entre os laboratórios de genética), são valiosos como fonte de informação sobre predisposições fundamentais na hora de elaborar uma conduta alimentar mais assertiva, que realmente dê resultados a curto, médio e longo prazo.

Predisposição genética e testes nutrigenéticos

O teste nutrigenético é uma ferramenta, de certa forma, recente para o nutricionista no Brasil. 

Esse teste nada mais é que o mapeamento do nosso DNA em busca de  características, que sejam relevantes à prática clínica nutricional. A busca por predisposições a doenças se torna um aliado para que essa prática seja realizada com maior sucesso. 

Logo, se você deseja incrementar a sua consulta , considerando as predisposições genéticas de seus pacientes a certas doenças, não hesite em procurar um bom provedor de testes nutrigenéticos. A boa notícia é que hoje já existe uma variedade de testes com diferentes preços e características analisadas, basta que encontre aquele que mais se adeque às suas necessidades na sua prática.