Segundo o Sistema de Informações de Mortalidade (SIM), no Brasil 34 pessoas morrem a cada hora por conta de doenças cardiovasculares, sendo a hipertensão o principal fator de risco.

Sabe-se que para atendimento nutricional, a presença da hipertensão é um fator determinante na definição das condutas alimentares dos pacientes. Mas e se pudéssemos ir além e antecipar o surgimento desta doença?

Atualmente, com o uso de testes genéticos nutricionais, é possível identificar a predisposição genética ao surgimento da hipertensão nos pacientes e traçar planos alimentares para evitar seu desenvolvimento.

O que é predisposição genética à hipertensão?

No dicionário, encontramos a definição de “predisposição” como a ação ou efeito de predispor-se, ou seja, é a tendência natural para algo. Do mesmo modo, predisposição genética à hipertensão é uma característica que indica um aumento da  probabilidade de desenvolver a doença, que pode acontecer de forma precoce.

A predisposição genética à hipertensão ocorre devido a polimorfismos em genes relacionados ao controle da pressão arterial.

Mas então quer dizer que a predisposição genética determina o surgimento da hipertensão? Não! Por ser uma doença crônica multifatorial, somente a predisposição genética não é suficiente para determinar o seu surgimento.

Mas, isso também não quer dizer que ela não deva ser levada em conta. A identificação de polimorfismos genéticos que levam à predisposição à hipertensão auxilia na elaboração de uma conduta clínica preventiva, evitando o seu desenvolvimento. Isso por que essa predisposição pode ser “silenciada” de modo que a doença não se desenvolva.

Genes da hipertensão

Os principais genes que indicam a prevalência de uma predisposição genética à hipertensão são:

ACE

O gene ACE tem importante papel na regulação da pressão arterial e no balanço de eletrólitos corporais. Sua atividade está relacionada à contração dos vasos sanguíneos e ao aumento da pressão arterial.

AGT

O gene AGT codifica a angiotensina, molécula que faz parte do sistema que regula a pressão arterial e o controle do equilíbrio eletrolítico. A metabolização da angiotensina provoca uma cascata de reações que culmina na contração dos vasos sanguíneos, aumentando, assim, a pressão arterial.

Simultaneamente, existem outros genes que influenciam de forma indireta no desenvolvimento da hipertensão arterial. 

Genes esses que estão relacionados à obesidade, e dos quais falamos mais detalhadamente no artigo sobre Predisposição genética a obesidade. Vale a pena conferir!

Conduta para pacientes com predisposição genética à hipertensão.

Existem algumas recomendações que podem auxiliar no planejamento alimentar adequado às necessidades do paciente e que irão ajudar bastante na prevenção da hipertensão.

Elementos como o sódio, encontrado no sal de cozinha, se consumido de forma excessiva, aumenta as possibilidades de uma pessoa se tornar hipertensa de forma precoce. Segundo a organização mundial da saúde, a recomendação de consumo diário é de 2.000 mg por dia, o que é o equivalente a 5 gramas de sal de cozinha. 

Além disso, a grande maioria dos alimentos industrializados e ultraprocessados possui grande quantidade de sódio. Temos, por exemplo, os embutidos como linguiça, presunto, salsicha, salame e mortadela, os salgadinhos e biscoitos recheados, e os temperos prontos industrializados. Portanto, esses alimentos não devem ser consumidos com frequência pelo seu paciente.

Por outro lado, alimentos frescos como frutas, verduras e legumes ajudam no controle não só da pressão sanguínea, como também na prevenção de outras doenças. A prática de atividades físicas de forma regular ajuda a evitar o desenvolvimento de hipertensão e, em casos de pacientes hipertensos, pode ajudar a controlar a pressão.