A obesidade é uma doença crônica caracterizada pelo excesso de tecido adiposo acumulado pelo corpo, trazendo prejuízos à saúde. Trata-se de uma doença multifatorial que pode estar relacionada a diversos fatores como os genéticos, os comportamentais e o estilo de vida.

Obviamente todos esses fatores passam necessariamente pela questão alimentar, e também pelo balanço energético de cada pessoa. Dessa maneira, a prática de atividades físicas entra como um importante item a ser considerado.

Quer saber um pouco mais desse assunto? Então aproveite a leitura deste nosso artigo.

Obesidade, balanço energético e os exercícios físicos

Sendo a obesidade definida pela grande quantidade de gordura corporal, ela tende a aparecer quando o balanço energético do organismo está desregulado.

Este balanço é representado pela quantidade de calorias ingeridas a partir da alimentação e pelo gasto energético total, que é determinado pela energia gasta com as atividades fisiológicas básicas (taxa metabólica basal), com as atividades do dia a dia, que incluem exercícios físicos.

Quando esse balanço energético é positivo, ou seja, quando a pessoa ingere mais calorias do que gasta, normalmente há um acúmulo de energia que se reflete pelo aumento de tecido adiposo. Pronto, é aí que a obesidade pode se instalar!

Nesse mesmo sentido, o sedentarismo ou a inatividade física, que ainda é um problema relevante para grande parte da população, também influencia diretamente na redução do gasto energético total, contribuindo para o excesso de gordura. 

Vale lembrar que a realização de exercícios físicos é uma excelente opção a ser incluída no tratamento de indivíduos obesos, já que gera um déficit energético corporal, ou seja, um aumento do gasto energético total

Com um bom planejamento e adequações para cada aluno, os treinos podem trazer melhorias na saúde, principalmente a médio e longo prazo, se realizados de forma constante. E isso se potencializa quando agregado a uma alimentação equilibrada, pois faz com que o gasto de energia seja maior que o ganho de calorias diárias.

Obesidade e exercícios aeróbios

Para obter um déficit energético adequado, e que possa levar à perda de gordura corporal, a principal recomendação é a realização de treinamentos contendo exercícios aeróbios.

Esse tipo de treino requer que o indivíduo mantenha-se exercitando de forma contínua (sem parar) ou de forma intervalada (faz o exercício, recupera, e volta a fazer o exercício), com uma duração mínima de 20 a 30 minutos por sessão de treino. O ideal é que sejam feitos, pelo menos, 150 minutos por semana.

O Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, na sigla em inglês) possui a recomendação de que as atividades aeróbias sejam realizadas no mínimo 5 vezes na semana.

As atividades aeróbias, de acordo com a recomendação do ACSM, incluem o trabalho conjunto do sistema muscular, principalmente das fibras de contração lenta (ou fibras do tipo I), e do sistema cardiovascular, com exercícios de intensidades intermediárias do VO2máx (a partir de 50 a 60 % do VO2máx).

Os ajustes do sistema cardiovascular, como a elevação da frequência cardíaca e o aumento do volume sanguíneo circulante, permitem que os tecidos musculares que estão sendo exercitados recebam sangue rico em oxigênio e nutrientes, permitindo a produção de energia (ATP) para que continuem se exercitando.

No entanto, os exercícios aeróbios também conseguem utilizar a energia contida na gordura extra que está estocada no tecido adiposo. E aí está o porquê da recomendação desse tipo de treino para o tratamento da obesidade.

Exercícios aeróbios e a genética

Assim como todos os processos fisiológicos, nosso DNA também influencia a maneira como lidamos com os exercícios físicos. Dessa forma, o conhecimento de como os genes atuam no nosso organismo possibilita a otimização de treinos a serem planejados no tratamento da obesidade.

No caso das atividades aeróbias, os genes PPARA e PPARGC1A, por exemplo, têm um papel importante no processo de metabolização de nutrientes para a geração de energia nos músculos.

Somam-se a eles os genes ACE e BDKRB2, os quais podem inferir a resposta do sistema cardiovascular aos exercícios, contribuindo para uma melhor eficiência na produção energética durante as sessões de treinos.

Já o gene ACTN3 atua na produção de um componente muscular que pode inferir se há maior facilidade para a realização de atividades de maior duração, característico dos exercícios aeróbios.

E a lista é vasta! Esses genes são apenas alguns exemplos que podem impactar na mobilização de energia do organismo, bem como na tendência a uma melhor resposta aos exercícios aeróbios.

Se você leu até aqui e se interessa por mais conteúdo como este, não deixe de acessar o artigo relacionado à Capacidade Aeróbia.

REFERÊNCIA

Riebe et al. Diretrizes do ACSM para os testes de esforço e sua prescrição. 10 ed. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.

Prof. Tiago Marques de Rezende
Doutor em Educação Física – UNICAMP
Mestre em Ciências da Motricidade – UNESP/RC
Professor Adjunto Educação Física – UNIFEG
Experiência em avaliação genética e seus efeitos no exercício
físico, prescrição de exercício físico
para grupos especiais e treinamento de equipes esportivas.