A partir dos anos 2000, os estudos das interações entre nutrientes e genes, como a Nutrigenética e a Nutrigenômica vêm ganhando ainda maior destaque e relevância no conhecimento sobre a nutrição humana.

Recentemente “Nutrigenética” e “Nutrigenômica” passaram a ser termos bastante utilizados não apenas na área de pesquisa, como também para a aplicação clínica.

Porém, os conceitos por trás desses dois termos ainda trazem certas dúvidas. Por isso fizemos este post com uma explicação mais clara e objetiva para elucidar o assunto.

Nutrigenética

Nutrigenética pode ser breve e basicamente definida como “o estudo dos efeitos das variações genéticas na resposta aos nutrientes“. 

Mas vamos por partes: nosso DNA carrega as informações para formação e funcionamento do nosso organismo. Acontece que existem certas variações nessas informações, sendo que elas são diferentes entre as pessoas. Logo, “variações genéticas” significam formas diferentes da informação contida no DNA de cada pessoa. 

Quando falamos que essas variações genéticas (ou polimorfismos genéticos) têm efeito na resposta aos nutrientes, quer dizer que cada variante pode ter um tipo de resposta a eles.

Por exemplo: uma pessoa que carrega um certo conjunto de variantes genéticas pode ter um metabolismo de gorduras saturadas melhor que de outra pessoa que carrega outro conjunto distinto de variantes.

Logo, quando um profissional interpreta o teste genético nutricional de um paciente, pode-se dizer que ele está usando a Nutrigenética.

Como outro exemplo, podemos mencionar o gene MTHFR, que codifica a enzima metilenotetrahidrofolato redutase (responsável por metabolizar o ácido fólico). Um polimorfismo genético que predisponha a uma redução na atividade desta enzima influencia a prescrição de ácido fólico na quantidade e forma adequadas.

Nutrigenômica

Já a Nutrigenômica pode ser resumidamente definida como “o estudo dos efeitos dos nutrientes na expressão dos nossos genes“.

Mas, de novo, vamos ponto a ponto. Os genes são as partes do DNA onde estão contidas as informações que são úteis para as células realizarem seu metabolismo. Os nutrientes exercem sua função no organismo ativando ou inativando genes, bem como aumentando ou reduzindo a expressão deles.

Para ilustrar, vamos usar o gene VDR, que contém a informação para a produção do Receptor da Vitamina D. Quando a vitamina D adentra a célula, ela se liga ao seu receptor (VDR), gerando um estímulo que leva ao aumento da expressão de certos genes que contêm as informações para realizar o metabolismo (absorção e uso) de cálcio e fosfato.

Assim, a vitamina D realiza seu papel, regulando a expressão de genes essenciais para que nosso organismo funcione corretamente. Logo, quando se suplementa nutrientes ou se elabora um plano alimentar, o profissional está usando (mesmo às vezes sem saber) os fundamentos da Nutrigenômica. Basta saber quais nutrientes ativam o grupo certo de genes.

Unindo Nutrigenética e Nutrigenômica

Para esclarecer um pouco mais a diferença entre Nutrigenética e Nutrigenômica, vamos tomar mais uma vez o gene VDR.

Conforme já tratamos acima, a vitamina D atua ativando ou aumentando a expressão de alguns grupos de genes. Isso é NUTRIGENÔMICA: o alimento modulando a expressão gênica!

Porém, algumas pessoas possuem um polimorfismo nesse gene, que acaba provocando a formação de um receptor de vitamina D menos ativo, ou seja, ele responde menos aos estímulos desta vitamina. Isso é NUTRIGENÉTICA: a resposta do organismo muda de acordo com as informações contidas no gene!

Nesse exemplo, uma pessoa que carrega o polimorfismo (chamado de risco) para o gene VDR tem uma necessidade de maior consumo de alimentos (ou uma dose maior de suplemento) contendo vitamina D para que ela realize o efeito desejado no organismo.

Nutrigenética e Nutrigenômica: O que são e quais as diferenças

Ficou mais claro?

Qual o impacto da nutrigenética e da nutrigenômica na nutrição?

As variantes genéticas, que cada indivíduo carrega, influenciam muito no metabolismo. Normalmente, essas variantes estão em genes que são responsáveis pela síntese de enzimas, receptores celulares, transportadores de nutrientes, hormônios, moléculas chave em vias metabólicas.

Com os testes nutrigenéticos é possível identificar essas variantes e, de acordo com o resultado, personalizar condutas com base em informações únicas contidas nos genes de cada paciente. Com isso aumenta-se a adesão aos planos, obtendo-se resultados mais efetivos, de longa duração.

Logo, compreender como a nutrigenética e a nutrigenômica funcionam em conjunto torna mais fácil a elaboração de planos alimentares assertivos.

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