Há alguns anos, a ideia de poder utilizar o DNA de cada pessoa para condutas mais direcionadas, ou seja, uma nutrição personalizada pela genética, parecia uma realidade muito distante e inacessível

Contudo, os avanços tecnológicos e pesquisas na área contribuíram para o crescimento do mercado de testes genéticos no Brasil. Nesse contexto, a nutrição personalizada através desses testes vem aumentando sua importância e aderência por profissionais da área.

Neste artigo abordamos um pouco mais sobre como utilizar a nutrição personalizada na prática clínica a partir das informações advindas dos testes genéticos. Confira! 

O que é Nutrição Personalizada?

Nutrição personalizada nada mais é do que levar em consideração as características únicas dos indivíduos, contidas em seu DNA, para elaborar estratégias e planejamentos nutricionais.

Existem diferentes formas de análise do material genético, dependendo do laboratório e técnica utilizada. Em sua grande maioria, é coletada uma amostra de saliva e a partir dela é realizada a extração do DNA seguida de análise dos genes que constam no painel nutrigenético. Feito isso, é gerado o laudo genético com os resultados e uma interpretação dos resultados, incluindo informações sobre cada variante genética do paciente.

Atualmente, isso se torna possível devido ao aumento de estudos das áreas de nutrigenética e nutrigenômica, o que permite compreender como a genética de cada pessoa impacta na metabolização dos nutrientes. Assim pode-se elaborar uma conduta nutricional baseada nas particularidades de cada indivíduo, afinal cada um carrega seu próprio conjunto de genes. 

Benefícios da Nutrição Personalizada

Cada vez de forma mais frequente, observam-se buscas por atendimentos personalizados e produtos únicos, pensados para cada indivíduo, e com a nutrição isso não é diferente (como não deve mesmo ser). 

Bons profissionais da área procuram adequar ao máximo suas prescrições e condutas nutricionais à realidade (características individuais e necessidades específicas) de cada um de seus pacientes para melhorar sua saúde de maneira precisa. Assim seus objetivos conseguem ser atingidos de forma adequada ao seu organismo, exclusivamente. 

Contar com testes genéticos para uma Nutrição Personalizada hoje em dia é o nível máximo da individualização. Isso porque permite que os profissionais de saúde possam obter informações mais detalhadas para definir o caminho que irão seguir com cada indivíduo. 

1) Prevenção de Doenças Crônicas

Por meio de alguns polimorfismos genéticos é possível identificar a predisposição ao desenvolvimento de algumas doenças como: Obesidade, Hipertensão, Diabetes tipo 2 e Dislipidemia. 

A partir desse conhecimento, o nutricionista pode elaborar (juntamente com suas avaliações, exames bioquímicos e histórico familiar) uma conduta personalizada a fim de evitar o aparecimento dessas doenças.

2) Auxílio no Emagrecimento 

É muito comum haver pacientes que apresentaram dificuldades no emagrecimento durante a vida toda. Isso pode acontecer por inúmeros motivos, mas cabe ao nutricionista investigar caso a caso a partir de uma anamnese nutricional. 

Algumas pessoas, porém, possuem variações genéticas que podem dificultar esse processo, já que estão relacionados com a predisposição à obesidade e ao acúmulo de gordura corporal e com fatores comportamentais, importantíssimos no processo de emagrecimento.

Variações nos genes  FTO e MC4R, por exemplo, podem indicar pessoas com dificuldade no eixo fome-saciedade, com maior tendência à compulsão alimentar e tendência à escolha de alimentos com maior densidade energética. 

Sabendo dessas informações, pode-se sugerir estratégias comportamentais e alimentares que vão contribuir para saciedade e controle da fome, consequentemente auxiliando no processo de perda de peso. 

3) Prevenção de Deficiência de Vitaminas

Também contamos com polimorfismos que identificam se o indivíduo possui uma necessidade aumentada ou não de determinada vitamina, dependendo do gene analisado. Isso ocorre devido a variações genéticas que prejudicam o processo de metabolização e absorção desses nutrientes. 

Como exemplo, pode-se mencionar a Vitamina D e as vitaminas do complexo B, que estão ligadas aos genes VDR e MTHFR

Juntando essas informações com a avaliação do consumo alimentar, análise bioquímica e sintomas clínicos, o nutricionista poderá definir a necessidade de suplementação e/ou aumento da ingestão de fontes alimentares de cada uma delas. 

4) Nutrição Personalizada e Performance Esportiva

O rendimento e desempenho no esporte e exercícios físicos em geral também podem ser melhorados a partir da nutrição personalizada por meio do uso de testes genéticos. 

Profissionais que atuam na área da nutrição esportiva, podem aperfeiçoar os resultados de seus pacientes a partir de informações sobre resposta inflamatória, necessidade de ômega-3 e metabolização de cafeína, por exemplo.

E além das informações citadas acima, podemos identificar intolerâncias, sensibilidades e até mesmo alterações no ciclo circadiano.

Observa-se também que pacientes que têm suas predisposições genéticas identificadas possuem maior adesão às condutas nutricionais e ao tratamento indicado. Isso porque enxergam, com a ajuda do profissional de nutrição, que a determinação do aparecimento de certas doenças depende de suas atitudes, de mudanças de certos comportamentos alimentares.

Dessa forma, o paciente consegue sentir que seus objetivos estão sendo alcançados com melhorias na sua disposição e qualidade de vida.

Como utilizar testes genéticos para uma nutrição personalizada?

O nutricionista pode usar os testes genéticos como mais uma ferramenta de avaliação em sua prática clínica, promovendo uma conduta clínica ainda mais personalizada por meio do DNA. 

Os testes genéticos contribuem para o planejamento de estratégias nutricionais mais assertivas, visto que pode-se identificar as possíveis dificuldades com relação ao metabolismo de nutrientes e predisposições a enfermidades. 

No entanto, sozinha a genética não consegue ditar qual o melhor caminho a seguir. Para isso, é necessário unir avaliação mais completa com outros parâmetros: bioquímicos, antropométricos, clínicos, histórico do paciente, entre outras investigações. A partir disso, um profissional qualificado consegue interpretar o conjunto de resultados e informações disponíveis para definir sua intervenção nutricional. 

Atualmente, é possível ter os testes genéticos nutricionais em consultório realizando parcerias com laboratórios que trabalham com esse tipo de teste. Assim, poderá aplicá-los em suas consultas, otimizando os resultados dos seus pacientes, trazendo à percepção deles os impactos de uma nutrição personalizada.