A nutrição funcional é uma das especialidades que vem ganhando grande destaque e interesse. Ela tem sinergia com todas as outras especialidades, desde a esportiva até a genética, com a qual tem uma estreita relação. 

Neste artigo, falaremos um pouco mais sobre nutrição funcional e sua relação com a genética. Confira! 

O que é nutrição funcional?

A nutrição funcional já é uma especialidade presente no Brasil há mais de 10 anos e conta com dois institutos de pesquisa no assunto: The Institute For Functional Medicine (IFM – EUA) e o Instituto Brasileiro de Nutrição Funcional (IBNF).

A base da nutrição funcional é rastrear os sinais, sintomas e características individuais que possam estar relacionados com a deficiência ou excesso de nutrientes. A ideia é não tratar apenas as doenças já existentes, mas identificar os riscos e trabalhar na prevenção.

A partir da identificação de carências e/ou sobrecargas, pode-se corrigir desequilíbrios nutricionais que venham a prejudicar o sistema imunológico e hormonal, e então causar problemas de saúde como: obesidade, diabetes, osteoporose, distúrbios comportamentais, além de prejuízos na performance física e esportiva.

São utilizados questionários e avaliações nutricionais para identificar os ajustes que precisam ser feitos na alimentação. Um exemplo que surgiu a partir da nutrição funcional é o rastreamento metabólico , que abrange uma série de questões para avaliar os sintomas que o paciente apresenta e que podem estar relacionados com sua alimentação. 

Além disso, a nutrição funcional possui 5 princípios básicos, são eles:

  • individualidade bioquímica;
  • tratamento centrado no paciente, e não na doença;
  • equilíbrio nutricional e biodisponibilidade de nutrientes;
  • valorização das interconexões em “teia” de processos bioquímicos que engloba os desequilíbrios nutricionais, estruturais e hormonais, o estresse oxidativo, a ecologia gastrintestinal, a destoxificação do organismo, as alterações imunológicas e a interação corpo-mente.
  • definição de saúde como uma vitalidade positiva e não a mera ausência de doença.

Nutrição funcional e esportiva

No âmbito esportivo, a nutrição funcional também exerce um papel importante, tanto é que algumas especializações hoje até englobam essas duas áreas: funcional e esportiva. 

Isso porque o exercício físico promove um aumento da produção de espécies reativas de oxigênio, os chamados EROS, como efeito do treinamento e processo adaptativo aos exercícios. 

Apesar desse efeito ser essencial, quando o paciente não consegue combater esse processo de forma eficiente, isso pode ser prejudicial ao processo regenerativo, de recuperação física.

Assim, quando o processo fisiológico é entendido como um todo, e incluindo a influência da alimentação, é possível recomendar estratégias terapêuticas voltadas a amenizar esses efeitos.

Ao observar como está o processo regenerativo do paciente, o profissional pode auxiliá-lo na recuperação para a prática esportiva. E além disso, avalia todo o contexto alimentar para prevenir carências nutricionais.

Nutrição funcional e genética

Uma vez que a nutrição funcional tem o foco na prevenção e cuidado integral do paciente, a análise nutrigenética entra como uma ferramenta importante. Ela contribui para a descoberta de informações do paciente, podendo assim auxiliar na definição das melhores estratégias nutricionais. 

Quando utilizamos testes nutrigenéticos como ferramenta para o atendimento nutricional, conseguimos identificar predisposições a doenças. Também pode-se detectar variações genéticas que podem prejudicar o aproveitamento de vitaminas, o processo inflamatório, o combate a moléculas pró-oxidantes, e a detoxificação do organismo.

Logo, o profissional pode ajustar sua conduta e suplementação considerando variações genéticas, e prevenindo doenças e deficiências nutricionais. 

Abaixo, citamos polimorfismos genéticos e sua relação no metabolismo de nutrientes, que exemplificam o cenário. 

MTHFR

Envolvido na metabolização de vitaminas do complexo B – variações nesse gene podem prejudicar o aproveitamento especialmente das vitaminas, B2 e B9 (ácido fólico);

VDR

Receptor da vitamina D – polimorfismos desse gene podem reduzir os efeitos dessa vitamina quando ingerida em quantidade  insuficiente;

EPHX1 e CYP1A2

Genes que codificam enzimas envolvidas na fase 1 do processo de detoxificação – variações neles levam a uma detoxificação mais lenta;

GSTM1 e GSTT1

Genes que codificam enzimas com atividade na fase 2 do processo de detoxificação – variações neles levam a uma detoxificação mais lenta;

SOD2, CAT e GPX1

Genes responsáveis por enzimas que formam o sistema antioxidante – polimorfismos podem levar à redução da proteção contra radicais livres; 

Esses são alguns exemplos de como as informações genéticas podem ser utilizadas dentro da nutrição funcional. Sabendo das “dificuldades” no metabolismo e em alguns processos fisiológicos de cada paciente, você pode individualizar ainda mais seu planejamento e abordagem. 

Nutrição funcional na prática clínica

Podemos concluir que a nutrição funcional caminha junto com diversas áreas dentro da nutrição. Suas avaliações, prescrições e condutas dependem de quais ferramentas você utiliza,  qual o seu público, respeitando a individualidade de cada paciente.

Atualmente contamos com tecnologias que podem auxiliar ainda mais nessa individualização e cabe ao profissional interpretar e utilizar esses dados da melhor forma, para promover saúde de uma maneira integral.