A individualização ou a customização máxima de uma conduta nutricional é aquela que leva em conta os aspectos nutricionais de cada pessoa, uma a uma, sendo a base do que se chama “nutrição de precisão”.

Há alguns anos, a busca por atendimentos nutricionais cada vez mais individualizados vem progressivamente aumentando, cabendo ao profissional da área buscar as ferramentas que possibilitem atender essa demanda.

Dessa maneira, torna-se imprescindível estabelecer um planejamento alimentar que considere as diferenças interpessoais, baseado na identificação das necessidades e sensibilidades aos nutrientes que cada pessoa tem.

Nesse artigo vamos falar um pouco mais sobre a nutrição de precisão e como a genética está envolvida com ela. Confira!

Nutrição de Precisão: O que é?

Com o avanço da ciência, novas tecnologias foram desenvolvidas para melhorar a forma como a nutrição pode se tornar mais precisa, permitindo a otimização de dietas para cada paciente.

Nesse sentido surgiu o termo “nutrição de precisão”, que leva em conta as exigências individuais, as quais podem ser inferidas por uma série de exames e avaliações.

Como o próprio nome diz, a nutrição de precisão tem por objetivo uma orientação nutricional mais próxima do ideal; e isso só é possível respeitando as particularidades de cada um, permitindo uma abordagem “sob medida”.

As razões pelas quais as pessoas têm necessidades nutricionais e metabolismos diferentes, incluem fatores como: variações bioquímicas, variações genéticas e epigenéticas, diferenças no microbioma (conjunto de microrganismos que fazem parte do nosso corpo) e exposição a uma infinidade de fatores ambientais.

Assim, ao identificar esses fatores em cada paciente, é possível traçar a melhor estratégia nutricional para cuidar da sua saúde, tratando e prevenindo o desenvolvimento de doenças, e melhorando sua qualidade de vida. 

Uma nova especialidade

Apesar de ser uma área relativamente nova, a nutrição de precisão segue os mesmos conceitos já aplicados à medicina de precisão, área bastante desenvolvidas em outros países.

Um exemplo interessante desses casos é que a agência reguladora da segurança alimentar e do uso de farmacêuticos dos Estados Unidos (US Food and Drug Administration) exige uma rotulagem no medicamento Varfarina (anticoagulante usado em pessoas com certas cardiopatias) recomendando o teste genético

Isso porque o teste identifica portadores de variantes do gene CYP2C9, que por metabolizarem lentamente a droga são pessoas que precisam de menor dose da medicação no início do tratamento. Isso claramente auxilia na tomada de decisão clínica e traça um paralelo com a nutrição de precisão.

Ainda tomando como referência os Estados Unidos, o Instituto Nacional de Saúde (NIH) do país enfatizou em seu relatório de planos estratégicos que a nutrição de precisão é fundamental para o estabelecimento de intervenções dietéticas mais direcionadas e eficazes para a saúde da população, que está cada vez mais diversificada.

Um avanço importante foi que, recentemente, o Conselho Federal de Nutrição (CFN) publicou a resolução Nº 689 trazendo importantes atualizações nas áreas de atuação dos nutricionistas. O documento traz a “Nutrição de Precisão” como especialidade, oficializando esse novo segmento na profissão.

Qual a relação da Nutrição de Precisão com a genética?

Na verdade, a nutrição de precisão e a genética têm tudo a ver, já que as variações genéticas são um dos fatores que contribuem para que cada indivíduo responda de uma forma bastante particular aos nutrientes.

E essas variações são passíveis de serem identificadas por meio de testes genéticos. Mas é importante ter atenção aos testes existentes e que realmente agregam valor às suas consultas nutricionais. 

O teste nutrigenético quando bem aplicado é considerado um valioso instrumento, pois possibilita a identificação de polimorfismos no DNA que nos permitem compreender melhor as variações bioquímicas e o potencial futuro de cada organismo, e a partir daí direcionar melhor o planejamento alimentar. 

Esse tipo de abordagem serviria, por exemplo, para direcionar melhor a nutrição das pessoas acometidas pela COVID-19. A genética pode indicar se há uma tendência à resposta inflamatória mais acentuada, e qual a necessidade de ômega-3 individual, podendo, assim, prover o profissional de importantes informações para um planejamento alimentar mais adequado.

Nutrição de Precisão e Nutrição Personalizada são a mesma coisa?

O campo da nutrição é bastante vasto e está em constante evolução, por isso sempre traz inovações, como métodos cada vez mais precisos para identificar variações individuais que direcionam mais assertivamente as condutas nutricionais. Nesse cenário, surgem termos que dão a noção desse avanço, tais como “nutrição personalizada” e “nutrição de precisão“.

Tratam-se de conceitos relativamente novos e que se assemelham, ou se complementam, uma vez que levam em conta as particularidades do indivíduo, refletindo em orientações e condutas nutricionais mais assertivas e individualizadas.

Mas no final das contas, o ideal é que a nutrição de precisão ou personalizada considere além do DNA outros fatores, como os bioquímicos, os antropométricos, os comportamentos e hábitos alimentares, a prática de atividades físicas, o microbiota, etc.

Dessa forma, só quando se leva em conta todos esses parâmetros é que a nutrição consegue abranger cada indivíduo de forma mais certeira possível.

Referências

National Research Institute. Precision Nutrition <http://uncnri.org/precision-nutrition-sept-2019/> Acesso em 10/06/2021. 

Simopoulos et al. The need for precision nutrition, genetic variation and resolution in Covid-19 patients. Molecular Aspects of Medicine, 2021.

Rodgers and Collins. Precision Nutrition—the Answer to “What to Eat to Stay Healthy. JAMA, 2020.