Genótipo e Fenótipo são termos básicos da genética, uma das áreas da ciência que mais se desenvolve. Sua aplicação em várias áreas, vem ganhando bastante destaque, como na nutrição e no esporte.

E para quem quer usar a genética, esses termos devem ser bem entendidos, pois fazem parte do repertório do bom profissional. Não se trata apenas de saber sua definição em palavras, mas como eles se incorporam na prática.

Como aqui com a gente o negócio é simplificar conceitos, deixando o entendimento da ciência mais leve e acessível (sem perder qualidade e precisão), trouxemos uma explicação descomplicada sobre genótipo e fenótipo.

O que é Genótipo?

Genótipo é a combinação dos alelos ou versões de cada gene. Quem não se lembra da escola, dos famosos alelos “A” e “a”? Usando este exemplo bem simples, se para um determinado gene existem esses dois alelos, os três possíveis genótipos serão formados pelas suas combinações: AA, Aa e aa.

 Normalmente carregamos dois alelos ou duas versões de cada gene porque nossa espécie (humana) tem cromossomos aos pares. Dentro de cada uma de nossas células temos 46 cromossomos, sendo que 23 vêm da mãe e 23 vêm do pai. Então para cada gene que herdamos de nossa mãe, teremos o mesmo gene herdado de nosso pai.

Algumas vezes nossos genes podem ter versões (ou alelos) diferentes, como é o caso de recebermos um “A” e um “a”, que formam o genótipo Aa – chamado de heterozigoto. Mas pode acontecer de recebermos alelos idênticos dos nossos pais (“A” e “A” ou “a” e “a”), que irão formar os genótipos AA e aa – chamados de homozigotos. 

Mas como nosso corpo é algo bastante complexo e depende da ação de todos os nossos genes combinados, também consideramos a definição de genótipo como sendo o conjunto de todos os genes que uma pessoa carrega

Ou seja, é a constituição gênica de cada pessoa – lembrando que são nos genes onde estão codificadas todas informações para que as nossas células produzam as proteínas necessárias para compor nosso corpo e fazê-lo funcionar.

O que é Fenótipo?

Fenótipo nada mais é que o conjunto de características que cada indivíduo tem. Altura, tipo de cabelo, textura de pele, cor dos olhos, tamanho do nariz são exemplos de sinais particulares que facilmente observamos nas pessoas. 

Tecnicamente, na biologia, esses atributos recebem o nome de fenótipo. Mas aí também estão incluídas características que não são tão facilmente observadas, como aspectos bioquímicos, fisiológicos e comportamentais. Dessa forma, o tipo sanguíneo, hipertensão, diabetes, ansiedade, esquizofrenia, etc. também entram no conceito fenotípico.

Um importante ponto a ser entendido aqui é que essas características (mais nítidas ou nem tanto) provêm de duas fontes. A primeira, interna, são inerentes às informações que constituem nosso código genético – desta forma nosso genótipo (conjunto de todos os nossos genes) tem um impacto relevante.

Mas para definir de forma completa o conceito de fenótipo, tão importante quanto considerar nossa constituição genética, devemos também levar em conta também fatores externos, o ambiente em que estamos vivendo. Logo, vale a fórmula tão conhecida: fenótipo = genótipo + ambiente.  

Genótipo e fenótipo: como se relacionam?

Todos os nossos genes, de alguma forma, exercem influência sobre nosso organismo, regulando nossa fisiologia. Alguns genes têm maior impacto, e outros menos, de acordo com múltiplas e intrincadas modulações da expressão gênica, que ocorrem de acordo com aquilo que experimentamos do meio externo.    

Um exemplo clássico é a tonalidade da pele. Nas células da pele, temos genes que regulam a produção da melanina, e de acordo com os alelos que carregamos para esses genes, a cor de nossa pele será definida – por isso alguns têm um tom de pele mais escuro e outros, mais claro. (E existem até aqueles que não produzem a melanina, como é o caso do albinismo – pele sem pigmentação – mas isso é caso raro).

Porém, quem nunca experimentou ir à praia ou se expor ao Sol durante uma caminhada sem a devida proteção? Pois é, após algumas horas, nossas células começam a aumentar a síntese de melanina, uma forma de proteger as nossas células da radiação solar, que é nociva em altas doses.

Em situações normais, do dia a dia, a não exposição prolongada à luz solar mantém nossa tonalidade de pele de uma forma. Mas basta uma dose extra para que apareça o bronzeamento natural: algumas pessoas conseguem isso após minutos debaixo do Sol, enquanto outras demoram mais tempo para surtir o mesmo efeito. E isso acontece porque temos alelos distintos que regulam a produção de melanina de forma individual.

O que importa neste exemplo é mostrar que os genes têm seu efeito, mas é a junção deles com a ação do meio em que estamos inseridos (praia, por exemplo), que molda nosso fenótipo (característica) – neste caso, a pele bronzeada.

Genótipo e fenótipo na Nutrição e Esporte

Para fechar, podemos também citar exemplos da alimentação e da prática esportiva como tendo efeito em nosso fenótipo a partir da ação dos genes somada a fatores ambientais.

Por exemplo: se uma pessoa tem um genótipo desfavorável no gene VDR (que codifica o receptor da vitamina D), ela necessitará de uma ingestão maior desta vitamina para que esta exerça sua função benéfica no organismo. Se há uma ingestão reduzida, esta pessoa terá problemas, como má mineralização óssea e menor resposta do sistema imunológico diante a infecções.

Logo, ter ossos fortes e uma boa proteção contra bactérias e vírus (fenótipo) dependerá dos alelos que este indivíduo tem para o gene VDR (genótipo) e também de como está se alimentando a partir de fontes de vitamina D (ambiente).

O mesmo serve para os treinos praticados na academia. Uma pessoa sedentária que passa a fazer musculação regularmente, começará, após algum tempo, a produzir proteínas que sustentarão uma musculatura mais forte (fenótipo). Isso se deve à ação dos genes responsáveis pela  produção dessas proteínas (genótipo) e à atividade física de maneira frequente (ambiente).