A genética no esporte traz contribuições importantes para entender de que maneira o corpo humano responde e se adapta aos treinamentos físicos.

Os esportes de alto rendimento usam diferentes métodos de avaliação de desempenho, como o consumo máximo de oxigênio, o famoso VO2máx.

Mas, a evolução vem permitindo informações cada vez mais detalhadas que influenciam na performance.

E a genética é uma delas!

E você, conhece essa área “nova”? Então vem com a gente neste artigo.

Genética esportiva: uma realidade atual

A genética esportiva, pode ser entendida como a área da fisiologia do exercício que avalia as respostas do corpo humano por conta do treinamento físico, tendo por base as informações que estão no DNA de cada pessoa.

Na verdade, a performance atlética é complexa e multifatorial, ou seja, ela é influenciada por vários fatores como:

  • a genética
  • o ambiente.

O histórico de cada pessoa na prática esportiva é importante, nele mostra o quão cedo e frequente cada um desenvolveu seu organismo.

Além disso, o dia a dia de treinos conta muito, pois o organismo consegue se adaptar a diferentes situações que necessitam de esforço físico.

Mas, para isso é preciso frequência e estar preparado para aguentar a carga de treinos.

Por isso, nos perguntamos

  • Mas como isso pode ser determinado?
  • Como saber, por exemplo, “quanto” de treinamento cada pessoa suporta?
  • Qual o tempo de recuperação do organismo para realizar uma nova sessão de treino?
  • O que fazer para evitar lesões?

Pois são respostas a perguntas como essas que hoje a genética nos ajuda a ter.

Projeto Genoma Humano

A partir de 2003, com a conclusão do Projeto Genoma Humano, foi possível decifrarmos a nossa fisiologia por meio do estudo dos genes.

Logo, ficaram mais claros os aspectos moleculares de como o organismo se comporta aos treinos físicos e as diferenças individuais, que levam a resultados distintos.

E agora podemos desfrutar deste conhecimento aplicando ele na prática!

A influência da genética no esporte

Com a avaliação genética, cientistas do esporte, fisiologias e preparadores físicos conseguem ter as informações de como o atleta terá respostas ajustadas por conta do treinamento físico.

Isso permite escolhas mais certeiras dos exercícios, a serem feitos de acordo com a fisiologia de cada um.

Saber a variante do gene ACTN3, por exemplo, ajuda a entender o perfil das fibras musculares (proporção de fibras de contração lenta e de contração rápida).

Com esse dado, é possível direcionar os treinamentos de força e de resistência de acordo com a modalidade.

Já na capacidade aeróbia, a contribuição da genética no esporte conta com informações sobre o ajuste da pressão arterial no caso do gene ACE.

E sobre a produção de energia durante períodos mais longos, como no caso dos genes PPARA e PPARGC1A.

Outro componente do programa de treinamento que a genética permite desvendar é o potencial que a pessoa possui para se recuperar.

Conhecer as informações trazidas no DNA sobre como o sistema antioxidante (que envolve o gene SOD2) e inflamatório (que inclui os genes TNF-A e IL-6) trabalham depois de uma sessão de exercícios, permite saber quando os músculos estarão em condições para realizar um novo treinamento.

Além disso, a genética ajuda a esclarecer quais são os riscos de lesão do atleta.

Quando o músculo não consegue diminuir a quantidade de elementos pró-oxidantes para níveis adequados, ou tem elementos pró-inflamatórios em excesso, os músculos e as estruturas não estão recuperados.

Por isso, levar o corpo a uma sessão de exercícios intensa pode gerar sobrecarga por fadiga, acarretando lesão.

Mas não é só isso!

Os genes também revelam a constituição e capacidade de resistir a tensão para os ossos, ligamentos e tendões.

Genes como o COL5A1 e MMP3, ajudam para entender a constituição e o funcionamento dos tecidos moles, com isso, possuem progressões adequadas nas cargas de treinamento, aquecimento e volta à calma após os exercícios.

Quais tipos de esporte podem se beneficiar do conhecimento genético?

O conhecimento das características do corpo, ao nível molecular, de como ele irá responder ao treinamento físico, é de suma importância para a criação de treinos físicos, seja ela coletiva ou individual.

A individualidade é o que realmente importa para criar um plano de treino mais personalizado possível. 

Por meio do teste genético esportivo é possível conhecer as características do atleta, ou seja, o que está “escrito” em seu DNA.

E esse conhecimento aplicado por um profissional capacitado para a interpretação dos resultados do teste é importante para atingir os objetivos de performance desejados.  

Mas isso, não é algo único ao atleta profissional.

Os praticantes de atividades físicas regulares e que estão adotando um estilo de vida mais saudável também, podem realizar o teste genético esportivo.

Por fim, para melhorar a sua condição física.

Portanto, a participação da genética no esporte é democrática, pois pode ajudar o desempenho do iniciante na atividade física, passando pelo atleta amador, até o atleta profissional.

Prof. Tiago Marques de Rezende

Doutor em Educação Física – UNICAMP
Mestre em Ciências da Motricidade – UNESP/RC
Professor Adjunto Educação Física – UNIFEG
Experiência em avaliação genética e seus efeitos no exercício físico, prescrição de exercício físico para grupos especiais e treinamento de equipes esportivas