A Genética é uma área cada vez mais explorada e utilizada na prática clínica, pois permite uma conduta mais assertiva e personalizada. Mas antes de tudo, é necessário saber como interpretar um teste genético para aplicar seus resultados. 

Neste artigo vamos ajudar você a entender como dar os primeiros passos para isso. Confira!

Como interpretar um teste genético na prática nutricional

Se você pretende trabalhar com genética, saber sobre o que é o DNA é o primeiro passo, mas não precisa saber tudo nos detalhes.

A primeira coisa a se fazer é se informar sobre as variações genéticas que foram solicitadas no teste. Isso serve tanto para poder aplicar o conhecimento durante as consultas, quanto para explicar de maneira simples e didática ao paciente.

Ou seja, não adianta solicitar um teste com uma infinidade de marcadores que não serão úteis para sua conduta na prática. É preciso entender quais genes são relevantes e conhecer a relação entre eles. Essa é a primeira dica de como interpretar um teste genético de forma efetiva. 

Entenda qual a associação dos genes com as vias metabólicas e fisiológicas, e como isso pode ser impactado com um plano alimentar adequado. Se precisar, faça um resumo ou rascunho das principais funções dos genes ou tenha materiais prontos para consultar, uma “colinha” mesmo. Até pegar prática, esse é um ótimo jeito de iniciar. 

Outra dica de ouro é fazer o teste em você mesmo antes de partir para a consulta com seus pacientes. Já que você conhece o seu próprio organismo e como ele funciona, ter dados sobre a sua genética, ajuda você a compreender como o teste funciona e como poderá fazer com as pessoas que vai atender. 

Feito isso, você já deu passos importantes, mas outras dicas práticas também podem ajudar – e aqui citamos algumas delas. 

  • Estude o caso antes da consulta

Mesmo que o paciente ainda não tenha passado por uma consulta com você, as informações sobre a genética dele você já terá em mãos.

Então analise os resultados, focando nos genótipos de risco que ele possui, já registrando quais as condutas você terá que adotar para cada um dos genes.

Caso você realize um questionário pré-consulta, poderá obter informações complementares que te auxiliarão ainda mais nesse momento. Assim, quando chegar a hora da consulta, você já terá um domínio maior da orientação nutricional e conseguirá explicar de maneira mais objetiva e clara ao paciente.

  • Organize a sua consulta nutrigenética

Pode parecer complicado, mas quando você consegue organizar os passos de como vai realizar sua consulta nutrigenética, as orientações ficam mais fáceis de serem dadas.

Como a interpretação do teste é um passo que ainda não existe em suas consultas, é interessante organizar em qual momento você dará a explicação e análise dos resultados genéticos junto com o paciente, e encaixar isso dentro das outras avaliações que você realiza.

  • Estabeleca protocolos de condutas e prescrições

Outra dica que pode te auxiliar como interpretar um teste genético, é estabelecer protocolos de orientações nutricionais e suplementação a partir do conhecimento das variantes de cada gene ou do conjunto de genes ligados a uma mesma característica.

Com o passar do tempo, conforme você for adquirindo mais prática e experiência, ficará mais fácil fazer combinações entre os genótipos de todos os genes e reunir todas as condutas associadas a eles, de maneira global, o que te dará condições de um direcionamento cada vez mais completo.

Dessa forma, ficará mais fácil na consulta, pois com as prescrições “mais básicas” você poderá se adaptar gradualmente, tornando suas análises mais completas.

  • Escute o paciente, tire suas dúvidas

Por fim, e não menos importante, além de toda organização, protocolos e conhecimentos teóricos, é essencial escutar o paciente. Esclarecer dúvidas sobre os resultados genéticos, relacioná-los às avaliações nutricionais e as prescrições que você sugeriu são fundamentais para o atendimento de excelência.

A genética ainda é um assunto relativamente novo, então é importante que você saiba explicar claramente os resultados que vêm do DNA de cada paciente, e quais serão os próximos passos a partir dali.